12 de julho de 2008

Agora entendo os suicídas

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Agora entendo os suicídas,
que se penduram das pontes,
que ameaçam se jogarem dos prédios,
que apontam o revólver contra a própria têmpora
e chamam a atenção
dos pedestres de passagem pela rua, motoristas de ônibus, passageiros,
rádio e TV.

Agora entendo os suicídas,
não os que morreram,
os outros,
aqueles,
aqueles suicídas que nunca pensaram em se matar.

Entendo os suicídas da própria vida, que,
de repente,
resolvem se pendurar das alturas
e ameaçar o mundo a ficar sem eles,
na tentativa, falha, de que o mundo preste
mais atenção ao mundo
e não a si.

Agora entendo os suicídas
que tentam salvar a própria vida
de todos.
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20 de junho de 2008

e-opereta

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(adagio)

Longas conversas no botequim lá atrás,
no tempo.

(presto)
internet
veloz

e-mail
e-talking
e-person

(adagio)
Cartas guardadas em caixas, embaixo da cama,
embaixo no tempo.

(andantino)
caixa de correio cheia
esvaziar lixeira

...embaixo no tempo.

(presto)
Hey!
Time is money.
Money is life.
(rall............)
Life is gone.
Just live and let die.

(andantino)
Esquecer o passado; século XXI
é bola pra frente e assim que se leva a vida.
Fired! Ok! Emprego é sazonal.
bola pra frente, assim que se leva a vida.

Café da manhã fica na manhã, agora é coffe break,
se rapidinho dá tempo de um happy hour.

Chegar em casa de noite, sem filhos pra abraçar,
sem saber se a namorada vai estar,
em casa, ou no happy hour.

Banho fast-food e televisão, all together.

(allegretto)
Putz! uma idéia!
Nem dá tempo de escrever no papel,
escrevo no computador, é mais rápido que o lápis.
Já põe no blog, assim já tá na net, já tá publicado, já no
mundo wide web.



(adagio)
Um homem tão rápido, descompassado, descomunicado...

Sei não, tive uma discussão psicofilosófica tão boa no MSN9.0 agora,
pena que esqueci de salvar.


quinta, 3:59, após uma boa conversa virtual.
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11 de junho de 2008

TGV

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Lá no francês
tem uma moça toda francesinha,
de chanel e scarpins.

Mais elle ne comprend rien.

Coitada! se perdeu no curso.
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26 de maio de 2008

Mamãe: soneto desconexo e sem métrica, mas um soneto

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Minha mãe pediu um poema,
mas mãe, eu não sei escrever poemas.
_Não faz o que eu peço?
Tá bom, mãe, eu faço um poema

Um presente pra mamãe...
O quê? Não sei...
Pai, qual?
Ah! pai, isso não, um mais legal

Mãe... tô com uma garota.
Calma! Tá bom! prometo!
Tá bom! tô namorando uma garota

Alô, mãe? Parabéns...
Não, mas no Natal a gente vai.
Viu, Felipe aprendeu "vovó".

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19 de maio de 2008

Pensei:

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Não quero a poesia que não é poesia,
a feita para ocasiões especiais,
a concebida para agradar.
A poesia de jantares, concursos, tomadas de posse
ou qualquer data desse jeito
não é poesia. Discurso em versos.

Porque a poesia é um passado,
transposto em sentidos e sentimentos,
revelada em sinais.
E somente é quando
encarnada e enalmada no transeunte
que passa e leva pro futuro.

A poesia hoje lida já foi.
A de hoje ainda está encubada
e daqui a quinze ou mais anos há de encantar e ser estudada.


quarta-feira, 1 de novembro de 2006
modificado três vezes (até segunda-feira, 28 de janeiro de 2008)
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