21 de setembro de 2009

A manhã das mãos pro futuro

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Maintenant que la maison en pierre est conclue,
les ouvriers initient le mur.

Le mur est faite de barres de fer avec des bout-javelot en acier
capable d'arracher la vie qui tombe sur elles.
Une chef-d'oeuvre de plus haute classe
qui empêchera l'entrée d'imundus, affamés, vagabons et
vendeurs de rose rouges.
........Roses de toute couleur, spécialement les mouillées et parfumées (– Au nom du Père!).
........Rougex de toute espèce.

Barres et lances qui empêcheront la sortie.....................de coffres-fort pleins de félins,
................................................................................de statues de dîners et
................................................................................d'innocents, sèches et flasque.

Entre les barres et sur les bouts en acier
il ne passera rien à l'exception de
la Pluie et la Mort et ...................................................De-main.



Now the stone house is finished and
the workmen are beginning the fence.

The palings are made of iron bars with steel points-spears that
can stab the life out of any man who falls on them.
It is a masterpiece of the highest class,
and will shut off the rabble: dirty, starving, wandering men and
the red rose sellers.
........Roses of all coulors, especially the moistened and perfumed ones.
........Red of all kinds.

Bars and spears that will shut in...................................the safe chest full of felines,
................................................................................the statues of dinners and
................................................................................the innocents, dry and flacid.

Passing through the bars and over the steel points
will go nothing except
the Death and the Rain and..........................................To-morrow.



Agora que a casa de pedra está construída,
os peões começam a sebe.

São barras de ferro com pontas-lanças de aço
capazes de tirar a vida de quem se ouse sobre elas.
Uma obra-prima da mais alta classe,
que impedirá a entrada de imundus, famintos, vagabundos e
vendedores de rosas vermelhas.
........Rosas de toda cor, especialmente as molhadas e perfumadas (– Em nome do Pai!).
........Vermelhas de toda espécie.

Barras e lanças que impedirão a saída ..........................de cofres cheios de felinos,
................................................................................de estátuas de jantares e
................................................................................de inocentes, secos e flácidos.

Entre as barras e sobre as pontas de aço
nada passará exceto
a Chuva e a Morte e o.................................................A-manhã.

Após seis horas.
Baseado no poema "A Fence", de Carl Sandburg.
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2 de junho de 2009

Passos atrás de pegadas. / Passos fugindo às pegadas

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Os passos, na rua, sozinhos, num corredor de muros onde ecoam as pegadas na cabeça. Escuro à luz dos postes a mercúrio entre as árvores e a opressão da casa sim e da casa não. Na luz, fora da luz, os passos caminham, e queriam caminhar por meses não fosse o cansaço e o frio da noite amarela ao som de uns poucos carros, na rua, amedrontados ou embriagados daquilo que agora entorpece a cabeça e a noção de sentimentos e sentidos.
Empilhados os prédios em cima fazem a única companhia aos passos, sozinhos, caminhando pela rua. Fosse agora o caminho aqui à esquerda outra rua entrava, com outras luzes, outras casas. Mas o reto era na frente. E na frente havia casa: o destino dos passos, entre as árvores, clara, escura, entre os prédios de apartamentos de família dormindo.
O caminho faz a curva mas volta ao mesmo reto, e no reto o sim e o não intermitentes das luzes noturnas da cidade. As pegadas ecoam como dor de cabeça a cada passo e o som da respiração no frio faz fumaça na noite:
... ? ... ... ... ... ... .
Os passos caminham de olhos fechados piscando e a boca estática como de sono, a avenida chegando e isso alegra tristemente os passos. Lá, nem um carro poderia passar pra fazer companhia, só fugiam de um lado de repente pro outro, sem nunca estar perto dos passos perdidos. O canteiro uma ilha, o outro lado do preto, ainda preto, mas outro lado, e outra rua escura com postes atrás das árvores na verdade a mesma com o nome de lado de cá. Agora os passos vão sozinhos, já sabem, depois da avenida há grama e nela se pode pisar sem ser calçado. As pegadas ecoam cada vez mais fracas, cada vez mais, nunca sem estarem lá, as pegadas seguem os passos a cada andar que vão, cada vez mais. E o entorpecente sono já toma os passos, e estes caminham, por enquanto em coma, a casa.

23 de dezembro de 2007
modificado e sem o último parágrafo
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Engenharia do Pensamento

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Qual o ideal que tenho?
Quais são as minhas restrições?
Quais as minhas ferramentas?
Quão próximo desse ideal eu consigo chegar?

A transformação da minha realidade, realmente.
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18 de maio de 2009

Bilhar

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Quatro bolas, duras, das de bilhar, na mesa:
Uma branca, maior, e três outras coloridas.
A branca bate, empurra, esbarra, resvala e joga as outras pra lá e pra cá.
De frente, de raspão, de tabela pro outro lado.
Às vezes bate e volta, às vezes bate e fica. Outras, bate e continua batendo.
Mas ninguém cai.
Dá um toquinho. Dá uma encostada. Dá um encontrão. Dá um porradão.
Peraí!
grita uma bola das coloridas, achas que só porque é branquinha podes ficar mandando nas direções, eu vou pra onde me der na telha. Tchau!
Aí o cara do taco se revolta, puta merda de bola, tá loca. Ora corre, ora foge, ora pára.
É a mesa que tá torta.
Torto tá seu pau (esse é o dono do bar), seu bêbedo, mesa de bar meu é boa, ardósia de primeira.
Vai vender cachaça que é o melhor que você faz, vai, seu Rivelino.

Nessa hora, o poeta, sentado lá no fundo se levanta, deixa duas notas, uma pra conta, outra pro garçom, sai de fininho, com o caderno, em branco, na mão esquerda ouvindo o barulho da confusão lá atrás.

29 de dezembro de 2008
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Circus

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Com cheiro de pipoca e churros,
a arquibancada e o picadeiro.

Desfilam, sonoras, as atrações num rastro rápido de oito deitado pelo palco
saindo e entrando, balançando as cortinas das coxias.

Sob as pálpebras, brilham meus olhos de tantas cores
que nunca imaginara, nem saberia o nome que poucos talvez souberam.

Tantas cores
e tantos sons e tantos cheiros e gentes.

A primeira gente da noite:
O equilibrista
no monociclo em movimento, equilibra pratos que giram sobre varetas que giram, e ele gira, e nada cai.

A segunda gente da noite:
O mágico
serra a mulher em duas, e com duas fica, e de duas faz uma só de novo. E aplausos enchem o espaço sob o
[grande lençol.

A terceira gente da noite:
O trapezista
pula e gira, de braço em braço, de trapézios em pernas, de braços em piruetas até um outro ponto
[quasescondido no alto do mastro.

A quarta gente da noite:
O palhaço malabarista de facas, vestido em espelhos,
joga, leve, facas para cima, brilhando, girando, de mão em mão. Rindo piadas, brincado de clown, joga.
Joga, e como dera certo com ovos,
as lança para cima
e escancara a bocarra.
Passa fácil pelo corpo,
como o milho da pipoca, como o churros.

Não tivesse esquecido o coração no caminho.

A corda,
toca em meu peito,
um novo que já tocou em algum lugar:

Escorre pelo encordoamento,...............................................G9 G7+(9)
minhas lágrimas e seu sangue...............................................
mistura com a terra.............................................................C9 e|-3--3-0-|
.........................................................................................C9/G e|-0--0-3-3-0----|-0--0-3-3-5-|
Saindo e entrando,...............................................................C/G
do Átrio,
fugindo, escapando,.............................................................Am
cuspidos e sugados, das coxias,............................................A9
passa aquela gente...............................................................A7+(9)
de macacão pendurado pela cintura,......................................Am
marca de cartola no cabelo embaraçado,................................ A4
cara meia pintada, meia limpa.
.........................................................................................D9/A Dm/A
.........................................................................................D4/A (12 vezes) ...

Vê? Soa.

Caí rasgando a mulher ao meio enquanto a flecha girava.

Soa. Vê?

Choro de madrugada fria arregalada.

Ré:.....................................................................................D7+

sensações e sentimentos
quando se confundem
inverti a ordem dos sentidos
quando
nós somos da platéia
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14 de maio de 2009

Vivo

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Re-vejo,
    -leio,
    -escuto,
    -lembro,
    -sinto.

E cada vez mais gosto menos de mim,
mais gosto menos de mim antes,
menos confio mais em mim agora,
mais confio menos em mim depois.

Mas posso ser Renato a cada dia,
colocar um hífen pra separar o que se deve
e aglutinar o que renova.

Voltar e evoluir,
revolver e atirar-me aos dez ou sete traços que só-riso marcou.

Estando bem,
refaço-me a cada dia:
em helicoidais irregulares.

Sinto fé-cundar-me para mais umas voltas...
Assim vou,
levado por mim, pelo tubo temporal até ser bombeado de novo.
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4 de maio de 2009

Antiáguadade

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Pode a pátria nos tirar (d)os seios e (d)a casa confortável
para brigarmos uma luta de poucos?
Em nome de um objetivo que alguns esclarecidos almejam,
é necessário deixar-mos a pars urbana para convertermos a cegueira em luz?

Onde está minha luta, agora?
Na mata de Apocalipse Now,
Estação da Luz pegando fogo no escuro,
franceses num Brasil inglês.
Onde está minha luta, agora?
A multidão de corpos que podiam ser orgia me engana a vista:
frios trombados nos outros.
Onde está minha luta agora?

Em nome da polis perdes na ida e na volta.
Com a casa seca de comida, te atiram a cataputa na cara,
mas tua lança resiste na caça ao peixe de águas quentes e coletivas, não públicas, púbicas.

E aquele que já não navega mais sobre Buquerina
vê na água o espelho torto e fluido sangrado que não penetra mais seus dedos,
mas os engole, como a todo o corpo submerso,
deitado no leito da pátria e sem luz.

O sangue da luta, da água, da conspiração da terra,
da cooperação dos grãos de terra, invade, derruba, domina a bandeira flácida.
Perde-se a guerra?
Umas outras tornarão.
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Pode, mas dói. ↔ Não dói, mas não pode.

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Sonha não doer.
Sonha poder.

Os primeiros ouvem Sade:
O doce meloso som pra acariciar as mentes
e o apaziguador texto de alma frustrada.

Os próximos lêem Sade:
O inquietante texto de corpo latejante
E o azedinho som melado da pele em pêlos.



Interjeições e onomatopéias!

Seria bom se não amassem sádicos.
Seria bom se não comessem ouvintes de Adu.

Você é o que você ama.
Ah! cadê? meu Marquês romântico?



...

Sonhe o não poder.

Sonhe o doer.
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21 de novembro de 2008

Texto

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Agora é tempo de poesiar tudo:
todos, a qualquer instante, podem.
Você também!
Vamos, vamos poesiar tudo:
colocar no papel cada coisa da vida que acontece agora.

Vai, coloque o amor,
as bombas, o tempo,
a tristeza, o som, as brigas.
Por que não o computador,
o trabalho, o casamento,
o bife, as contas?

Há! é sim, tudo vale,
tudo serve,
serve sim, é suficiente.
É, fica legal.

Legal, né?
Que coisa, agora todo mundo é poeta.
Que lindo!

Vai, fale do trema,
do herói que virou heroi.
Escreva com rimas ricas e raras,
ou, pelo menos, com métrica.
Disserte em versos sobre os diversos usos do hífen em “con-fusão”,
cite os velhos clássicos de ídolos,
mas não me venha com essa de poesia.
Não me venha com esses livrinhos e blogs de artista.

Vai, alguma coisa nova, por favor.

Mas não basta reclamar do que já foi feito.
Tem-se que criar, ralar pra criar, sofrer
e tirar o leite da pedra.
Não porque é duro, porém porque é impossível.
Falar do óbvio, de modo intangível, com letras inexpressáveis.
Não porque não faz sentido, porém porque é vivo.
Sinalizar o sagrado e o profano no mesmo ponto.
Sem dicotomia, porém com caótica pontualidade.

Só então poderá dizer:
“Talvez isso seja alguma coisa.”
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É preciso voltar


"Sapo não pula por boniteza, mas porém, por precisão." Provérbio capiau

Vim, um dia.
Às vezes não sei quando dia,
mas um dia,
que outras é sabido.

Vim.

Abri,
pelado,
andei,
levantei caindo da torre,
suspirei,
escrevi,
transei, dormi e repeti.

Maluco doido,
sem nexo,
joguei.

Perdi.

Conservado em picles e gergelim,
hipernoitei.

... . ... ... . ... . . ...

... . . . ... . . ? ...

! Assustado,
acordei,
caindo sem chão,
solto.

Tum.

Abri,
muitas cores.
E um tango apasionado tocava ao fundo das cortinas mexendo com vento dramático atrás do relógio de
[parede.

Levantei.
Andei, corri, andei,
porque é labuta.
Passei pela janela.
E então estava lá,
de volta.
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