2 de agosto de 2010

ponto de vida

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Ossudo brinca, ossudo recebe,
ossudo brinca, ossudo leva,
ossudo brinca, ossudo toma,
ossudo aguenta...
ossudo não aguenta,
ossudo, agora, é unhudo e seco.
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10 de junho de 2010

Ligeira

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Lenta,
bem lenta,
a lugares impróprios
voando com o veneno de hágua
Flecha foi feriu minhas estrelas às noveembraços.

Se braços próprios,
curar pra que?
A perna que me falhe
Na cama uma graça
manca e torta
em graça mais minhas mãos
cirúrgicas te abrindo
os ossos
macias se esquentando em tu a
pelada.

Sobre mim
sabe.
virtual, um outro
Conhece físicorporal
sobre mim.
termina nunca,
termina nunca...
em tornando me suco.
Lenta,
bem lenta,
.

1 de junho de 2010

Tirei tuas vírgulas de propósito

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Fiz um poema pra você
Não achei demais
Minhas mãos se exigem
a escrever pros teus olhos
Não sou poeta
Escrevo pros teus olhos verem os meus

Nessas nossas
perdi um ônibus por você
perdi outros ônibus com você
E assim perdendo pra onde vou?

Perderia outros tantos
pra me achar perdido nesse ponto-você
pra te achar mais mais
pra me achares sem mapa
num nu de nós
esperando a resposta de um salmão e fondue de chocolate
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31 de maio de 2010

Livros abertos e corpo

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Deem-me poemas de amor,
porque ontem dormi ecos de Kandinsky,
amanheci Neruda
e cedo pelas horas sangrei drummundo:
o sentimento pesado sobre os ombros.

Chorei raiva no braço
e as pernas tremeram o ódio
de amar uma tristeza.

Embolei o corpo num lençol esticado:
deem-me amor de poemas.
E então poema-você-nova me disse
quinta, Ana.
Um mar ionizado e elétrico veio como Hermes me dizer
durma cor você também.

E um dia mais sonequei a tarde toda
pra dormir os poetas e acordar a minha

Matilde viva em ti
ouviu meu peito
de tímpano negro e burana
explodir um amarelo trombeta
ascender quente napolitana
e deitar com a noite chilena.
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14 de abril de 2010

impotente impessoal perplexidade do fim

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eu te arrebento meu mundo.
tua arte me fundo.
come horas do tempo
minuto que - filha da puta! - deitou na cama.

tua, meu espelho d'água.
tua identidade nula.
fosse tua outra mesma minha seria.

agora tua tua minha mão vagina.
embora.
por minha minha teu você fugida.
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Poema do amor concreto

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Foi-se fazendo um amor tão grande
que se chegaria aos céus,
chegaria ao Deus,
chegaria aos infinitos.
Foi-se fazendo um amor,
um amor babilônico.

                 Os amorosos colocavam os grandes amores por baixo
                 para segurarem os pequenos amores que viriam depois.
                 Os amores de baixo eram grossos e robustos,
                 enormes,
                 eram a base;
                 Os pequenos, os detalhes, a beleza...
                 a parte que tocaria lá em cima.
                 
                 Esse era o projeto dos amorosos,
                 reunir os amores todos
                 para que se chegasse ao Amor.
                 
                 Sobrepuseram vários amores:
                 Loucos, platônicos, correspondidos
                 incorrespondidos, negros, briguentos, etc
                 Juntaram tudo numa imensa torre.
                 
                 Lá em cima, Deus esperava: olhou,
                 olhou de novo...
                 E por fim,
                 Decidiu mudar de céu.


7 de novembro de 2007
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6 de abril de 2010

Pé de fruta e Shiva

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Me come em cima do pé
que é pra eu não deitar e lembrar de ti.

Me deixa soltar, cair e me espatifar pela terra
que é pra eu morrer e lembrar de mim.
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4 de abril de 2010

Antidepressivo nº 1

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Deixar o dia pra depois da aula.
Deixar o doce pra depois do arroz.
Deixar a sesta pra depois da louça.
Deixar o samba pra depois do labor.

Pausa para o pôr-do-sol.

Deixar a noite pra depois do dia.
Levar o sexo para o fim da noite.
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31 de março de 2010

Ser deus

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Eu queria escrever umas coisas como você.
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30 de março de 2010

Minhas coxas me respondem você

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As coxas que ficaram na pele das minhas!
Ar de fruta cica no meu
dormente peito explode pra dentro
suga meus ombros.

Mar de morros
de outros sopros.
(Viajo longe
e viajo nunca.)
Em que perdi meu olhar,
perdi meu corpo,
perdi os braços,
perdi as pernas,
perdi as pernas,
perdi no pênis.

Tens razão, o amor é sexualmente transmissível.
Nem que seja teu amor em outros.
se transmuta em “por ti”.

(Veneno que sobe rápido e rasga a coxa em tensas e espasmantes.)

Um vazio pleno, fugaz e cheio, transbordante escorre você de mim.
E teus pelos e não-pelos massageiam meu carinho na tua cova de dormir,
de eu dormir em você,
de dormir um pra sempre fundo (até quando?) em você.

A, delícia! Tua língua me ouvindo o dentro.
Teu relevo me aquecendo um sentir forte de olfato.
E é você esse som murmurante, baixinho e explícito, que me infla
a ser Eurói.

Cadência do teu rio rolando pelas minhas pedras,
ao fundo fundo
mar onde me perco
afogo.

A Insolação.
Arrombou silenciosa minha pele.
“Guarda-te o amor.
Teme essa felicidade.”

Minha ferida ferida por ti.
Minha felina aberta
me arrisca a pele cardial.
Na cama
uma vez mais.
A levantar a madrugada de mim,
nua.
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